De modo a compreender melhor determinados aspectos do trabalho desenvolvido, entrevistei a pedagoga da escola bíblica de modo remoto. O roteiro da entrevista encontra-se no Apêndice A, desenvolvido junto a professora orientadora da disciplina de estágio.
Verificou-se inicialmente a formação acadêmica da professora, sendo esta formada no magistério, lecionando durante algum tempo em algumas escolas, porém não estando mais em frente de sala de aula. Atua na Escola Bíblica de Canudos 1, há dez anos, começando como tesoureira, até chegar ao posto de pedagoga. Posteriormente, buscando compreender a estrutura da escola bíblica e sua ordem hierárquica naquele período.
A professora afirmou durante a entrevista que a média de 80 alunos que frequentava, caiu para 30 a 35 alunos. Ela destacou, também, a ausência tanto de alunos, quanto de professores, após o retorno presencial. Segundo a professora, uma das dificuldades destacadas é a dificuldade de formar novos professores para atuar, de modo a não haver desfalques em determinadas classes, assim como a questão do horário que constantemente foi reduzido, principalmente com a chegada pandemia.
Ao ser perguntado sobre o objetivo central da EB, a professora afirmou que é “Reunir a membresia da igreja para a cada vez aprender mais a palavra de Deus.” (entrevista 01). E que para tanto desenvolve, para além das aulas, eventos como gincanas, dia do aniversariante do mês, e outras programações pontuais. Estes eventos são feitas com as ofertas dadas pelos alunos, assim como para a compra de lanches e material didático.
A professora afirma que as avaliações dos alunos são feitas através dessas gincanas, já a avaliação dos professores é realizada mediante verificação da frequência e empenho destes, sem especificar critérios específicos para tanto.
O que se percebeu a partir da entrevista foi uma confirmação das observações participantes, principalmente no que se refere a própria expectativa dos membros que compõem e fazem a escola bíblica funcionar. Em geral, destacou-se um trabalho que seguia com pouca motivação, havendo necessidade de gerar nos professores e alunos uma visão mais forte acerca da importância daquele setor.
É importante destacar que a busca pela educação religiosa é fundamental no ambiente religioso, contudo a frequência não é algo obrigatório. Durante os cultos e encontros, o aprendizado da palavra de Deus, como apontado na fala da professora, é destacado como algo vital para que haja o fortalecimento da fé, logo tornar-se um membro frequente daquela igreja.
Oliveira (2015), ao afirmar que a educação, também pode ser um ato religioso, esta considera que a educação cristã tem o mesmo objetivo das demais “incutir um valor, uma crença, uma ideologia em seus alunos, sendo estes Cristocêntricos” (OLIVEIRA, 2015, p. 16). Para que isto aconteça, é necessário que o estilo de vida dos envolvidos, “também tenham suas vidas centradas Nele, o que nos remete [...] sobre a questão do envolvimento do professor com sua religião e as influências posteriores de seu ensino na formação do caráter e personalidade dos educandos” (OLIVEIRA, 2015, P. 16) No ambiente religioso aqui observado, foi possível perceber que o foco, em geral, era dado para as questões religiosas em detrimento com a questão didática. Para a coordenação, os professores são capacitados primeiramente por Deus, desenvolvendo suas habilidades na prática. Neste ponto, foi importante questionar até que ponto a professora pedagoga, naquele local e naquele período estava desenvolvendo um trabalho educacional efetivo e de que modo ela poderia utilizar-se dos seus conhecimentos acadêmicos para ali favorecer atividades mais significativas.
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